Ju Calheiros
Comecei antes de existir a palavra “online”.
Sou profissional de Educação Física há mais de 23 anos. Nesse tempo atendi mulheres em academia, em casa e do outro lado do mundo por uma tela, e cada uma delas me ensinou algo que nenhum curso ensina.

A história
Minha história com o movimento começou antes de eu saber que ele seria minha profissão. Fui bailarina na infância, e a dança me levou para fora do Brasil. Ainda muito nova, porém, já sabia que a dança seria prazer, não trabalho. Aos 14 anos, decidi: seria Profissional de Educação Física. Teimosa e determinada, formei aos 21.
Cresci cercada por mulheres fortes — minha mãe, tias, irmã, primas — que enfrentaram histórias que nem cabem aqui. Talvez por isso eu tenha começado minha profissão já querendo cuidar de outras mulheres e usar a atividade física para mudar um pouco a vida delas.
No começo, eu ia até elas. Atendia na sala dos apartamentos, nas academias dos prédios, no jardim das casas. Cheguei a dar dez, doze aulas por dia, carregando uma mala rosa de 32 quilos nas costas. E foi entrando na casa de cada uma que aprendi o que nenhum curso ensina: conhecer a rotina, os filhos, o trabalho, as dores, os exames, as inseguranças, a falta de tempo. Não dava para olhar apenas para um corpo durante uma hora e ignorar tudo o que acontecia nas outras 23.
Quanto mais mulheres eu atendia, mais eu estudava. Fiz pós-graduação em Treinamento Personalizado, estudei ortopedia na Itália e emagrecimento nos Estados Unidos. Médicos de diferentes regiões de São Paulo começaram a indicar meu trabalho. Chegavam mulheres com históricos cada vez mais específicos — limitações, cirurgias, alterações hormonais, gestações, pós-partos — e isso me obrigava a fazer o que faço até hoje: estudar aquela pessoa antes de prescrever qualquer treino.
Foi também nessa época que algumas alunas começaram a se mudar de São Paulo e queriam continuar comigo. Há mais de vinte anos, ninguém chamava aquilo de “treino online”. Não havia aplicativo, vídeo curto ou mercado em torno disso. Havia uma mulher morando longe que queria continuar treinando comigo, e eu precisava fazer aquilo funcionar com a mesma seriedade. Foi assim que comecei a atender à distância — muito antes de esse formato se tornar comum.
Enquanto minha vida profissional crescia, minha vida pessoal mudava. Tive meus dois filhos, hoje com 20 e 18 anos. A maternidade não diminuiu meus sonhos: fortaleceu a vontade de acordar todos os dias e fazer dar certo. Mas meu corpo também vivia tudo aquilo. Aos 27 anos, depois de duas gestações, dois partos, anos com a mala rosa de 32 quilos nas costas, minha coluna disse “chega”. Cheguei a operar. Foi então que percebi que precisava criar um lugar que acolhesse minhas alunas, mas também me abrigasse.
Nasceu o primeiro estúdio: 35 metros quadrados. Depois, 68. Depois, uma casa de 400 metros. O trabalho se destacava no atendimento à gestação e ao pós-parto, mas aquelas mulheres continuavam comigo, os filhos cresciam e elas permaneciam. Outras chegavam sem ser mães: adolescentes, mulheres no climatério, na menopausa, querendo emagrecer, ganhar músculos, cuidar de uma dor ou simplesmente se sentir bem no próprio corpo. A Materna Fit já não traduzia tudo aquilo. Porque já não era só sobre a mãe. Era sobre a mulher inteira. Foi assim que nasceu a The Woman.
Hoje, a The Woman tem sua matriz na Vila Nova Conceição, comandada exclusivamente por mim, e franquias em Campinas, Jundiaí e Chácara Klabin. O Método Ju Calheiros não nasceu numa data: foi sendo construído nas salas dos apartamentos, nas academias dos prédios, no jardim das casas, nos cursos, nas conversas com médicos, nas milhares de avaliações e nas mulheres que acompanhei em diferentes fases da vida. É essa maneira de avaliar, estudar, prescrever e acompanhar que ensino às profissionais que formo.
Anos depois, a bicicleta encontrou outro caminho. Fui pioneira no Brasil em Bike Trips exclusivamente femininas e descobri uma outra forma de fazer algo que faço desde os 21: reunir mulheres através do movimento. Só que, dessa vez, havia paisagens, comida boa, vinho, risadas, conversas e o silêncio gostoso de pedalar sentindo o vento no rosto.
E talvez seja por isso que a cozinha tenha um lugar tão especial na minha vida. Eu amo cozinhar, mas, mais do que isso, amo tudo o que acontece em volta de uma mesa. Quase nunca sigo receitas. Vou experimentando, misturando, provando, sentindo o cheiro, mudando alguma coisa no meio do caminho até chegar naquele sabor que imaginei. E então vem a parte de que mais gosto: servir. Porque comida, para mim, nunca foi só comida. É a família que fica mais tempo à mesa, as amigas que chegam e abrem uma garrafa de vinho, as conversas que atravessam a noite, as risadas, os aromas e aqueles momentos aparentemente simples que, sem a gente perceber, vão preenchendo os capítulos mais importantes da nossa vida.
Talvez exista aí uma parte muito grande de quem eu sou. Gosto de criar com as mãos, com os sentidos, com atenção aos detalhes e pensando em quem vai receber. Faço isso quando cozinho, quando organizo uma viagem e também quando crio um treino. Nunca gostei muito de fórmulas prontas. Gosto do artesanal, do que foi pensado para aquela pessoa, naquele momento da vida dela.
“Falo de amor através da atividade física.”
Hoje, meu próximo passo não é abrir mais unidades. É levar tudo o que construí mais longe: continuar atendendo mulheres individualmente, formar profissionais e equipes, desenvolver projetos com empresas e criar experiências pelo mundo. Comecei como uma menina que dançava. Mais de duas décadas depois, continuo querendo colocar corpos em movimento — e, principalmente, participar dos movimentos que mudam a vida de uma mulher.
Formação e marcos
- Profissional de Educação Física há mais de 20 anos
- Pós-graduação em Treinamento Personalizado
- Especialização em ortopedia, Itália
- Especialização em emagrecimento, Estados Unidos
- Fundadora da The Woman, rede de treinamento desenvolvida exclusivamente para mulheres
- Criadora do Método Ju Calheiros
- Pioneira no Brasil em treinamento personalizado à distância
- Pioneira no Brasil em Bike Trips exclusivamente para mulheres

Como eu penso a prescrição
Pessoas diferentes não deveriam receber o mesmo treino.
Dependendo do caso, essas são as variáveis que analiso antes de montar um programa, e que revejo enquanto a vida da aluna muda.
- histórico de treinamento
- rotina
- idade
- composição corporal
- postura
- histórico ortopédico
- exames de imagem
- exames laboratoriais
- cirurgias
- dores e limitações
- medicamentos
- processos de emagrecimento
- maternidade
- pós-parto
- menopausa
- alterações hormonais
- hipertrofia
- ganho e perda de peso
- disponibilidade real para treinar
- momento de vida
Quatro frentes
Tudo nasce da mesma prática clínica diária.
01
Juliana que atende
Avalia, prescreve e acompanha mulheres individualmente, presencialmente e à distância.
02
Juliana que cria
Desenvolveu métodos, protocolos e formas de atendimento ao longo de mais de 20 anos de prática.
03
Juliana que forma
Ensina profissionais, equipes, estúdios e academias a atender mulheres com excelência.
04
Juliana que conecta
Cria experiências, viagens e encontros que aproximam pessoas através do movimento.
